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BLOG FALANDO DE DANÇA, BY LEONOR COSTA

sábado, 20 de novembro de 2010

Há quantos anos se ensina danças de par no Brasil? Saiba aqui


Primeiramente, vamos lembrar que dança de salão é só mais uma forma de dança de par, só que caracterizada pela aproximação de corpos, pela existência de uma condução mínima do cavalheiro em relação à dama, e pelo respeito a certas normas básicas de conduta, dentro de um ambiente fechado por quatro paredes, que se convencionou chamar de "salão".

Em assim sendo, podemos imaginar que já existissem muitas danças de par no Brasil-Colônia, principalmente as trazidas pelos colonizadores, que dariam origem às nossas danças folclóricas.  Mais tarde também os escravos africanos vieram dar sua contribuição, originando uma dança de par chamada Lundu, muito popular até o século 19.  Mas, e quanto à dança descrita no primeiro parágrafo acima, conduzida, com regras de conduta, dentro dos salões?  Quando terá surgido no Brasil?  E quais teriam sido os primeiros "professores" desse tipo de dança?

Lundu, em gravura de Rugendas
Não vamos afirmar que antes da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, em 1808, não houvesse ensino de dança de salão no Brasil.  Afinal, dançar socialmente fazia parte das regras de etiqueta da nobreza e das classes abastadas europeias, e muitas famílias brasileiras mais abonadas costumavam mandar seus jovens para colégios em Portugal, França e Inglaterra, principalmente.  Então, como garantir que, ao regressarem, não tenham vindo com noções de dança social, como era chamada esse tipo de dança na época?  Como garantir que alguns desses jovens não tenham passado adiante esse conhecimento e praticado em saraus e comemorações? Porém...


Porém, uma coisa é se passar um conhecimento adiante informalmente, outra coisa é se estar oficialmente habilitado a fazê-lo.  E aí chegamos aos professores de música, danças e etiquetas oficialmente nomeados para esse fim e que foram chamados ao Brasil a mando do príncipe-regente dom João VI, que aqui se instalara com a Corte Portuguesa, evitando que Portugal e colônias ficassem sob domínio de Napoleão. 

Podemos, então, afirmar que a trajetória da dança social no Brasil provavelmente começou com a chegada da Família Real Portuguesa ao país.  Sabe-se que príncipes e jovens nobres tinham professores de música e dança, como parte de sua educação.  Além disso, dom João VI mantinha uma orquestra permanente e uma cia de ballet - e todo o staff necessário a essa manutenção (copistas, produtores, costureiras, ensaiadores, afinadores de instrumentos, etc).  Uma vez instalado no Brasil, o príncipe-regente ordenou a vinda de Pedro Colonna, maestro de dança responsável pelos espetáculos na Capela Real, o que aconteceu em 1810.  Para ministrar aulas de música aos filhos e compor músicas para a Capela Real, dom João mandou vir o mestre de música Marcos Portugal, que também passou a supervisionar e dirigir os teatros públicos.  Marcos Portugal veio acompanhado da esposa, cunhada e sobrinhos... e do dançarino e coreógrafo Luiz Lacomba, com a esposa.

O grupo chegou ao Rio em 11-06-1811 e, já em 13-07-1811, Lacomba fez publicar o anúncio histórico da Gazeta do Rio de Janeiro, onde se lia:
   "Aviso: Luiz Lacomba, professor de dança, ultimamente chegado ao Rio de Janeiro, tem a honra de anunciar a todas as pessoas civilizadas desta cidade que ele se propõe ensinar todas as qualidades de danças próprias nas sociedades: todas as pessoas que lhe quiserem fazer a honra de tomar as suas lições o poderão procurar na rua do Ouvidor, 82, 3º andar."

Considerando-se que Luiz Lacomba era professor oficialmente nomeado para ministrar aulas de dança e considerando-se que até então essas aulas eram restritas à nobreza, pode-se afirmar que as primeiras aulas de danças de salão, dirigidas ao público em geral ("a todas as pessoas civilizadas desta cidade"), foram ministradas por Luiz Lacomba, em julho de 1811.  Estamos, portanto, a menos de um ano do bicentenário da dança de salão no Brasil!

Pode-se imaginar o rebuliço que foi a chegada de rainha, príncipes, princesas, e toda uma casta de nobres ao Rio de Janeiro.  E quantos saraus e bailes não teriam sido realizados para homenageá-los.  Pode-se também imaginar a quantidade de abonados interessados em se preparar para essas ocasiões.  O número de pessoas agendando aulas de dança foi tão grande que Lacomba teve que mandar vir o irmão Lourenço e demais membros da família, para ajudá-lo na empreitada!

Na Corte, Lacomba tornou-se Compositor de Danças da Casa Real e Maestro de Danças da Casa Real, sendo o coreógrafo do primeiro espetáculo de ballet de que se tem notícias no Brasil.  Chamava-se I Due Rivali e foi encenado com a ópera de Marcos Portugal, Oro Non Compra Amore, no Teatro Régio.  Mesmo com o retorno da Corte a Portugal, os Lacomba nunca mais deixaram o país.  Pode-se imaginar porquê.
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